Cura pelos Clássicos de Ficção: O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry
Segunda leitura do ano finalizada, novamente um clássico francês. Veja resenha de O Pequeno Príncipe.
Décimo nono post-resenha de livro da serie Cura pelos Clássicos de Ficção.

Pois, prometo aqui que não ficarei apenas nos clássicos de literatura francesa. Mas convenhamos que ainda não ter lido O Pequeno Príncipe era outra lacuna aberta na minha biografia de leitora, então decidi preencher e volto com as minhas impressões.
O que me preocupa mesmo é o fato de ter demorado tanto para concluir a leitura, mas falaremos sobre isso depois. Por hora deixe-me apresentar aos que possivelmente ainda não leram a obra de Antoine de Saint-Exupéry, o aviador/piloto-escritor francês (autor do livro mais traduzido do mundo depois da Bíblia, segundo dizem).
Antoine de Saint-Exupéry é tão conhecido por seu talento como escritor quanto por seu destino trágico como aviador. Piloto da Aéropostale e depois da Air France, o autor extrai dessa experiência o tema de seus romances, entre os quais Correio do Sul e Vôo Noturno, que também fizeram muito sucesso.

Era considerado um humanista e idealista, e sua obra é um convite à superação de si mesmo, uma exigência que ele coloca em prática em sua própria vida. Alistado durante a Guerra da Espanha como repórter, ele combateu na Força Aérea durante a Segunda Guerra Mundial antes de participar do desembarque americano no Norte da África e desaparecer em um acidente de avião em circunstâncias que permaneceram misteriosas por muito tempo, em 1944.
O escritor deixou um romance inacabado, Citadelle, considerado a síntese de seu pensamento. Por sua obra inclassificável e suas façanhas aéreas, Antoine de Saint-Exupéry alcançou, após sua morte, o status de verdadeiro herói.

O Pequeno Príncipe, livro das Misses
O Pequeno Príncipe ficou conhecido como o “livro das misses” no Brasil porque, durante décadas, era a resposta padrão em entrevistas para o concurso de beleza, ao questionarem as candidatas sobre seu livro favorito. A escolha simbolizava uma leitura segura, poética e “apropriada para situação”, pois é uma história focada em valores sentimentais como amizade e amor.
Sobre o livro O Pequeno Príncipe
“O Pequeno Príncipe”, de Antoine de Saint-Exupéry, é uma fábula filosófica que conta a história de um piloto que se perdeu no deserto do Saara e que encontra um menino/príncipe que afirma viver em um asteroide. A obra aborda temas como amizade e a perda da inocência ao crescer, criticando o foco dos adultos em superficialidades e defendendo que “o essencial é invisível aos olhos”.
O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry e o momento certo na nossa vida para realizar determinadas leituras

Conversava com uma querida esta semana sobre hábitos de escrita e sobre resenhar os livros que lemos. Postei que vi uma pesquisa recente sobre o hábito de escrever à mão ser essencial para manter a sanidade mental e que tenho tentado praticar isso alguns minutos por dia. Percebo hoje que a internet ao invés de acrescentar em nossas vidas, tirou de nós vários hábitos saudáveis, incluindo ler, escrever e resenhar (mesmo que em pensamento) sobre nossas leituras,
E por mais torto que lhe pareça o que esvrevo agora, isso tem muito a ver com minha leitura tardia de O Pequeno Príncipe. Veja bem, eu vergonhosamente assumo que fiquei muitos anos lendo pouco ou quase nada, perdendo décadas da minha vida com a instantaneidade frívola da internet, usando as desculpas rasas de que estava me “comunicando com as pessoas” ou me “informando sobre o que acontece no mundo”. Como se as cartas e os jornais impressos tivessem deixado de existir.
Mas eu estou tentanto recuperar o tempo perdido, e mesmo com alguns percalços e sem regularidade, sigo sustentando esse projeto que chamo de Cura pelos Clássicos de Ficção desde setembro de 2020. E também com isso percebi que perdi o timing para ler esse clássico francês absoluto que é O Pequeno Príncipe, pois nem de longe me comovi com a história.
O que é de fato intrigante, pois venho de uma leitura que nem esperava que iria mexer comigo, como pode ler nesta resenha que fiz de O Conde de Monte Cristo. Talvez esta nova leitura não me sirva de cura, mas de constatação: eu sou como os adultos que o livro “recrimina” e esse seja o momento de rever essa frieza que adquiri.
No começo também tentei ler para minha filha, mas provavelmente também não era o momento dela entrar em contato com ele, e não demonstrou nenhum interesse.
Por essas e outras, espero não ter ofendido as ordas de amantes e defensores deste livro. Seguirei com minhas leituras e resenhas, no intuito de alcançar minhas metas deste ano. Até o próximo livro!

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