Cura pelos Clássicos de Ficção: O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas (pai)
Volta das resenhas de clássicos com O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas (pai).
Décimo oitavo post-resenha de livro da serie Cura pelos Clássicos de Ficção.

Queridos, desta vez não vamos abordar o fato de que temos um desvio de conduta bem claro por aqui: sou formada em Letras e não tinha lido (ainda) O Conde de Monte Cristo. É preciso aceitar que um semestre para falar da literatura de um país tão relevante literariamente, é realmente muito pouco, se não uma ofensa. Mas tive que ler nada menos que um volume de Em Busca do Tempo Perdido de Marcel Proust, algo que me pareceu bem pertinente na época.
Volto então as minhas resenhas, pois minha proposta aqui segue sendo sobre a atemporalidade que é usar de clássicos para as nossas curas. E escolhi este livro de Alexandre Dumas pois bem, é um dos que havia começado no ano passado e queria terminar. Falei sobre isso aqui no post com as minhas metas de leitura para este ano.

Alexandre Dumas (pai) tem uma biografia tão atribulada quanto a França na época de Napoleão. Ele viveu nesse período e o livro também aborda vários fatos reais desse período. Não chega a ser um romance histórico, mas muitos fatos políticos são retratados pela ótica de Dumas (e o enredo tem origem em uma história real de vingança).
Entre suas obras mais famosas – além desta que resumo agora – estão Os Três Mosqueteiros, A Rainha Margot e A Máscara de Ferro. É considerado o Rei do Romance e seus livros (e peças de teatro) e seus enredos geralmente versam sobre a corte francesa e o período napoleônico, que viveu plenamente. Inclusive, muitas de suas experiências pessoais serviram de inspiração para alguns elementos de suas obras.
Sobre o livro O Conde de Monte Cristo


Inspirado em uma história real de vingança, conta a trajetória de um jovem imediato de navio que é denunciado e preso (injustamente) como conspirador em favor de Napoleão Bonaparte. Ele fica 10 anos na prisão, onde ele conhece um abade que lhe ensina de tudo, idiomas, sobre venenos, matemática (tinham tempo sobrando)…E que lhe revela a existência de um tesouro guardado na Ilha de Monte Cristo. Quando ele consegue escapar da prisão, toma posse dessa riqueza e por 10 anos se prepara para vingar-se dos seus algozes.
Diretamente ele não faz nada de errado, mas articula, investe e influencia a ponto de conseguir o fim de todos aqueles que já lhe fizeram muito mal.
O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas (pai) e o tempo que cada um leva para chegar à própria cura

Descobri essa semana que levei quase dois anos para ler O Conde de Monte Cristo – entre a data que comecei a ler e o dia em que finalmente finalizei a leitura. Coincidindo (ou não) com o tempo que tenho de luto pelo falecimento do meu pai.
No começo eu achava que a demora causada pelas longas pausas era por conta da própria história de Dumas. Não via sentido naquela longuíssima temporada de carnaval em Roma (por exemplo) e por alguns momentos achei que era só para “encher linguiça”, já que o autor recebia por página publicada. Mas eu estava enganada.
E aqui deixo a primeira lição que tirei da obra de Alexandre Dumas (pai): sua vida, a vida na França do período napoleônico poderiam ser uma bagunça, mas seu trabalho como escritor era um primor (sim, eu sei que ele tinha pessoas que ajudavam ele). Se duvida, te desafio a encontrar uma ponta sem nó nesse livro, algo que não faça um sentido, algum personagem que não tenha sua devida importância. É impossível e ao mesmo tempo admirável.
Mas eu falava de cura. Eu que quis ler esse clássico para me inspirar a escrever uma história de vingança que já tenho em mente há anos, e encontrei nela a cura para algo que eu nem sabia que precisava. E como precisava, Deus!
Talvez o que escreva aqui não te faça sentido, mas preciso mais uma vez mostrar por que na leitura de clássicos – que nos trazem sempre sentimentos, razões e debates atemporais – é possível encontrar certas curas para a alma.
Digo isso porque depois de acompanhar todo o trabalho requintado de Edmond Dantès para vingar-se (e ele diretamente não fez nada, era apenas o agente do caos), ao fim de tudo, ele não se sentiu pleno e lamentou-se no túmulo do seu falecido pai (que morreu de fome e pelo amor de Deus, não me venha reclamar de spoilers de uma história com mais de 200 anos de circulação!) por, apesar de tudo que fez, alcançou e conquistou, ele não consegiu evitar que o pai tivesse um fim tão trágico.
Do calhamaço que li, o que mais pesou na minha leitura foi o fato que ele gastou 10 anos de sua vida (e muito dinheiro também), para ao fim não conseguir se despedir propriamente daquele que ele mais amava. Eis o trecho que me levou a esta reflexão:
“Ele também, dez anos antes, havia fervorosamente procurado um túmulo naquele cemitério, e o havia procurado em vão. Voltando para a França com milhões, não conseguira encontrar o túmulo do seu pai morto de fome“
Pois eu demorei dois anos para completar a leitura desse livro, para enfim com esse trecho em uma das páginas finais, perceber o que eu realmente sentia com a perda do meu pai. Assim como Dantès, eu não consegui me despedir dele de forma apropriada, e me sinto extremamente culpada por isso.
Encontrei nessa leitura o caminho para a minha cura e assim como no livro, invoco a Deus desde então, para que ele me perdoe. Termino assim esta resenha, afirmando: nenhuma leitura de um clássico universal da literatura, é em vão.
Related Posts
Metas (modestas) de leitura para 2026



