Cronista da vida, das coisas e do mundo. Lifestyle, um pouco de tudo.

Livros

Cura pelos Clássicos de Ficção: O Alquimista, de Paulo Coelho

Talvez eu traga mais motivos para não ler Paulo Coelho do que para ler. Mas para saber disso, confira minha book review de O Alquimista.

Décimo quinto post-resenha de livro da serie Cura pelos Clássicos de Ficção.

— — —

Paulo Coelho é um romancista brasileiro conhecido por empregar muito simbolismo em seus livros. Criado no Rio de Janeiro, conta que sempre se rebelou contra sua educação católica e, como resultado, teria sido internado temporariamente em um hospital psiquiátrico por seus pais.

Abandonou a faculdade de direito em 1970 e viajou pela América do Sul, México, Norte da África e Europa, vivendo como um hippie. Em 1972 ele voltou para casa e começou a escrever letras de música pop e rock em parceria com Raul Seixas. Trabalhou também para a Polygram e CBS Records até 1980, quando embarcou em novas viagens pela Europa e África.

Foi em uma dessas viagens que ele percorreu o caminho de Santiago de Compostela, influenciado por um renovado interesse pelo catolicismo. Esta caminhada foi o mote para a composição de seu primeiro livro, O diário de um mago.

Em 1988, Paulo Coelho publicou O alquimista, um relato místico da jornada de um pastor andaluz pelo norte da África em busca de um tesouro. Após ser descartado pela primeira editora, o livro foi lançado com grande sucesso no Brasil e no exterior.

Seu retorno a fé católica é tema de outros livros do escritor, como O Monte Cinco e o Manual do Guerreiro da Luz. Embora seus romances continuem a fazer sucesso no Brasil e no exterior, os críticos frequentemente os caracterizam como obras excessivamente didáticas e moralizadoras.

Sobre o livro O Alquimista

Um romance alegórico, O Alquimista segue um jovem pastor andaluz em sua jornada para as pirâmides do Egito, depois de ter um sonho recorrente de encontrar um tesouro no local. O pastor chamado Santiago sonha com o tesouro enquanto abriga-se com seu rebanho em uma igreja em ruínas. Resolve consultar uma cartomante e a partir dali, todas as pessoas com quem encontra fazem parte da sua caminhada em busca de seu destino (no caso da expressão usada pelo autor, sua “lenda pessoal).

— — —

O Alquimista, Paulo Coelho

A verdade é que não preciso fazer muito esforço para recomendar ou não este livro, uma vez que o nome do autor Paulo Coelho por si só desperta amor ou desprezo. Isso ocorre, penso eu, porque existem dois tipos de leitores: os que lêem por ler, para passar o tempo e que não se preocupam com qualquer tipo de conceito literário (por mais simples que ele seja). E os que lêem com seriedade, buscando uma obra literária e que realmente lhe encante. E esses, além de serem minoria, nem tentam ler o maior best-seller brasileiro.

“Ah, mas ele é tão famoso, quem o critica é minoria”. Justamente. Pois é difícil encontrar pessoas com grande histórico de leitura e portadoras de conhecimentos mais profundos sobre escrita, literatura e ficção, a ponto de ler um livro de Paulo Coelho e o considerar uma grande obra literária.

Em qual destas categorias me encaixo? Eu diria que um pouco das duas, e de como se deu minha relação com o mais rentável dos escritores brasileiros. Eu sempre li todos os livros de ficção que apareceram na minha frente, e, por consequência, tudo que ele lançou até o começo dos anos 2000. Além de O Alquimista, li Diário de um mago, Brida, As Valkírias, Na beira do rio Piedra eu sentei e chorei (este eu lembro de ter gostado). Quanto aos outros livros dele, eu tentei ler, mas não gostei e não consegui terminar.

Mas enfim, vamos aos motivos pelos quais O Alquimista de Paulo Coelho não é digno de grande atenção (uso estas palavras para não ser tão feio):

  • Falta dinamismo em alguns trechos em que ele se alonga muito falando sobre a lenda pessoal (e repete o termo de forma exaustiva), tonando a leitura entediante;
  • Assim como todos os livros do Paulo Coelho publicados em português, tem péssima edição (difícil achar uma única publicação que se salve 100%), sempre com erros básicos de português, estrutura e até mesmo desenvolvimento da história;
  • É um livro que pode ser resumido em uma frase: “Escute seu coração. Porque, onde ele estiver, é onde estará o seu tesouro”.
  • Ele agrada (e vende tanto) por ter uma linguagem muito simples e acessível. Mas engana-se quem defende que “leituras fáceis são porta de entrada para o mundo da leitura”. O público de Paulo Coelho é um leitor raso, que não percebe a superficialidade da história (que admito, teria potencial se ele conseguisse escrever de forma mais profunda) que mal consegue associar um autor a sua obra;
  • Não quero deixar aqui apenas a minha opinião sobre este livro, então compartilho um link com a opinião de várias pessoas sobre a obra;

Agora se você se pergunta o motivo deste livro estar sendo resenhado nesta serie de Cura pelos Clássicos de Ficção…bem, digamos que mesmo as péssimas leituras servem para nos ensinar algo, e no caso de O Alquimista, sobre como não podemos confiar em números de vendas na hora de comprar livros.

Mas aqui quem fala também é uma pretensa escritora, e tem algo em Paulo Coelho que me pode ser útil: preciso admitir que ele é persistente. Ele escreve (são muitos livros publicados), um dia pode ser que ele publique uma grande obra. Sua persistência é digna de inspiração e bem por isso sua obra pode bem ajudar na cura de quem pretende escrever, para ir atrás e também ter seus livros publicados. É aquela história “fala mal, então vai lá e faz melhor”. Pode deixar que estou indo, Paulo!

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.