Cura pelos Clássicos de Ficção: O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald
Vamos de clássico da literatura dos Estados Unidos? Confira a minha resenha de O Grande Gastby.

Vigésimo post-resenha de livro da serie Cura pelos Clássicos de Ficção.
Por incrível que pareça, essa é a minha primeira experiência lendo um romance de um autor americano. Não sei se é por falta de recomendação ou falta de interesse meu, mas vamos combinar que isso não é nada que não possa ser corrigido. E bem por isso, fui logo de um clássico incontestável que é O Grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald.
O romance (tragédia?!) é ambientado na Nova Iorque dos anos 20 e acompanha a vida do enigmático milionário Jay Gatsby, pela perspectiva de Nick Carraway, vizinho de Gatsby e primo de Daisy Buchanan, amante e grande amor do milionário.
O livro destaca a divisão entre a “riqueza tradicional” (East Egg, onde Daisy e seu marido rico e arrogante, Tom Buchanan moram) e a “riqueza recente” (West Egg, palco das festas luxuosas e extravagantes de Gatsby). Gatsby é um homem que fez fortuna por conta própria – e cujo passado é questionado por todos, que está desesperado para recriar o passado e reconquistar Daisy. O reencontro acaba desencadeando uma série de eventos trágicos – e aqui encerro os spoilers. Mesmo que estejamos falando de um livro publicado 100 anos atrás, sei que tem muita gente que não gosta.
Comercialmente malsucedido quando foi publicado pela primeira vez,
O Grande Gatsby – que foi o terceiro romance de Fitzgerald – é agora considerado um clássico de
ficção americana e tem sido frequentemente chamado de Grande Romance Americano.
Sobre o autor: F. Scott Fitzgerald (1896–1940) foi um romancista e contista americano, amplamente aclamado como a voz por excelência da “Era do Jazz”. Sua prosa lírica captura o excesso cintilante, o idealismo romântico e a desilusão subjacente da “Geração Perdida” dos anos 1920. Mais conhecido por sua obra-prima, O Grande Gatsby, o trabalho de Fitzgerald ainda é fundamental para a literatura americana.
Francis Scott Fitzgerald e sua esposa, Zelda Fitzgerald, viveram na alta sociedade americana, mas com origens financeiras e trajetórias diferentes. Juntos, eles se tornaram os maiores símbolos e cronistas da chamada “Era do Jazz”.
Zelda Sayre nasceu em Montgomery, no Alabama, em uma família da elite sulista. Seu pai era um importante juiz da Suprema Corte do Alabama e ela era a “garota de ouro”, conhecida por sua rebeldia, beleza e festas nos clubes de campo.
Francis Scott Fitzgerald nasceu em St. Paul, Minnesota, em uma família de classe média. Ele alcançou a fortuna e o status na alta sociedade graças ao sucesso estrondoso de seu primeiro romance, Este Lado do Paraíso (1920). Ele buscou o sucesso literário e financeiro para provar que era digno de casar com herdeiras ricas, incluindo Zelda, que inicialmente recusou seu pedido de casamento.
Juntos, personificaram os “Anos Loucos” (anos 20 e 30), esbanjando dinheiro e promovendo festas lendárias em Nova York, Paris e na Riviera Francesa. Embora participassem da alta sociedade, seus livros (como o clássico O Grande Gatsby) funcionavam como críticas aos excessos e à superficialidade da riqueza material.
O estilo de vida hedonista, os ciúmes e o alcoolismo de Scott levaram o casal a um declínio financeiro e a graves problemas de saúde mental.




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Um retrato dos loucos anos 20: O Grande Gatsby, F. Scott Fitzgerald

Eu optei por uma leitura crua desse livro e crua achei a sua composição inicialmente. Digo crua pois não fiz nenhuma leitura sobre ele antes de ler, nunca li nada sobre o enredo, eu apenas tinha algumas impressões vagas dele que me agradavam, vindas das quatro adaptações que a obra teve para o cinema.
Pois como apreciadora do belo, gosto muito da estética dessa época, não somente na moda, mas principalmente na arquitetura Art Deco. Só que eu tinha um sobreaviso mental de que ok, era possível me decepcionar, então comecei a ler não esperando nada.
Confesso também que o calor – a história toda se passa no verão, com flashbacks para o passado – me pegou um pouco desprevenida, mas ao fim da leitura entendi a necessidade dele para completar o cenário da narrativa mais plausível.
Mas até chegar nesse ponto, preciso destacar o porque desta leitura não ter me apetecido em sua primeira parte: apesar do eu lírico de tom poético e profundo, os diálogos são rasos e vagos. Algo que vi em muitos clássicos do cinema (falo de filmes das décadas de 30 até 70) e particularmente acho muito sem graça.
Nada mais irritante para mim do que Gatsby chamando todos de “meu velho” (em inglês, “old sport”), mesmo sendo esta uma gíria clássica da alta sociedade norte-americana da década de 20. Achei sem molho, e se isso era comum, fico deveras feliz em não ter vivido nessa época.
Mas depois que parei de me preocupar com a falta de profundidade dos diálogos, a leitura ganhou sabor. E depois daquela tórrida e trágica tarde de verão, ganhou um desfecho que eu realmente não esperava, o que melhorou muito a minha percepção sobre essa obra.
Os desdobramentos e plot twits acontecem de forma tão suave e delicada que você se pega pensando “opa, não esperava por isso”, diante de pelo menos duas reviravoltas totalmente inesperadas. O final é trágico e triste, o que certamente deixou essa leitura muito saborosa. Alque achava ser muito distante da falta de profundidade verbal dos dálogos.
Porém, nada aqui é sem propósito: os “diálogos pobres” ou vazios da alta sociedade americana em O Grande Gatsby são um recurso estilístico. F. Scott Fitzgerald utiliza conversas superficiais e monossilábicas para expor o tédio, o materialismo e a superficialidade da elite americana durante a Era do Jazz.
E a história que começou crua e sem tempero, terminou muito bem passada, me deixando muito satisfeita.

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